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A noite que não foi mas aconteceu

por Nunovsky Ops, em 26.06.20

Pela primeira vez deste que há registos não houve festas de São João no Porto ou em parte alguma e os primeiros relatos vêm de Fernão Lopes no séc. XIV. Este estava na cidade portuense com intenção de preparar uma visita do Rei, coincidindo com a véspera de São João e, por isso, referiu que na cidade as gentes do Porto faziam uma grande festa. Existe também uma cantiga da época que fazia alusão a que até os moiros da moirama celebravam o São João, o que nos permite concluir que a festa é ainda mais antiga, mesmo anterior ao século XIV. 

Esta festa é celebrada em diversas localidades portuguesas nomeadamente em Alcácer do Sal,  Angra do Heroísmo, em Braga, em Tavira, etc mas é na Mui Nobre, Leal cidade Invicta que os festejos têm mais impacto nacional. Chegada a noite de São João, vemos fogareiros a assar sardinhas, mesas compridas instaladas nas ruas , os primeiros martelinhos chiam ao longe, começamos a ver os primeiros os balões nos céus e a excitação contida da folia que se aproxima. Mas este ano... 

Logo este ano, depois de tudo o que estamos a passar, merecíamos uma festa como o São João. Precisávamos dos sorrisos espontâneos de novos e velhos, dos abraços e contactos genuínos, das "marteladas" indigentes, do sentimento de pertença a algo que nos transcende e, sobretudo, precisávamos da magia e do céu iluminado pelos balões e pelo fogo de artificio. Como precisamos...

Mas este ano, o festejo do São João foi especial e mais carregado de sentimento... Sentimento de dever de responsabilidade à semelhança de outras ocasiões da pandemia. E foi festejado com a família de sangue e coração como se tratasse da Páscoa ou o Natal.

Certa imprensa de Lesboa apelidou-a de "noite de enterro"... Não conseguem entender a importância que para as populações da "província" têm festas e romarias como a Páscoa em Braga, o Sr. de Matosinhos, as Festas da Sra da Agonia ou a feira de São Mateus...

Cá nos mantemos e cá nos aguentamos... Para o ano vai ser a dobrar...

 

P.S. Acho incrível como os autarcas das cidades do Porto e Gaia (Portus+Cale) se põem a jeito de serem apelidados de bairristas, parolos e provincianos... Já não bastavam terem a lata de agir em prol dos respectivos munícipes em vez de esperarem pelo poder central, perceberam erradamente que a DGS tinha emanado as recomendações para o S. João tardiamente...

Ó senhores, a DGS deu as recomendações com 364 dias de antecedência... Santa incompetência...

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publicado às 15:45



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