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Turismo Português

por Nunovsky Ops, em 28.07.20

Nos últimos dias vieram a publico algumas iniciativas e reivindicações de alguns organismos e entidades ligadas ao Turismo para atenuar as dificuldades.

Basicamente pretendem colocar pensos rápidos em fracturas expostas...

Infelizmente, quando era imperioso existir uma liderança estratégica firme por parte do Turismo de Portugal e do Governo, para um sector (menosprezado) mas vital para a recuperação económica do país, tivemos apenas o "Clean & Safe" entretanto esquecido, a abertura de linhas de crédito, o vazio e... vácuo por parte da Secretária de Estado...   

As regiões de Turismo não deveriam trabalhar em conjunto em vez de competirem? É o que dá os "jobs for the boys"...

Criar sinergias, estratégia integrada de todos os players e evitar a dispersão de meios e canibalismo de mercados e lutas entre regiões de Turismo... nãh, népia, nicles (bola como diria JJ).

A Associação de Hotelaria de Portugal propôs vouchers de 50 euros, transportes públicos gratuitos até Março de 2021 e entradas gratuitas em todos os espaços culturais à... CM Lisboa? E porque não alargar a todo o país? E porque não integrar a TAP na promoção e divulgação deste tipo de acções?

E por falar em TAP, deixo aqui um artigo de opinião sobre a TAP diferente de todos os que ultimamente têm sido divulgados...

O José Mendonça da Cruz aborda todo o processo que envolveu a TAP de uma forma critica salientando a falta de estratégia dos nossos governantes... https://observador.pt/opiniao/como-socialistas-e-patriotas-uteis-destruiram-a-tap/

 

 

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publicado às 09:18

O que o vírus nos deu

por Nunovsky Ops, em 05.06.20

Quando era miúdo (um "catraio" ou "ganapo" como diziam na minha terra) uma das coisas que mais me frustrava era quando a minha "avó" (que era a minha ama) me perguntava se eu tinha olhado ou tinha observado alguma coisa... Para um projecto de gente com cinco ou seis anos, aquilo fazia-me uma confusão dos diabos... Então as respostas eram consoante os dias: às vezes "olhava", outras "observava". Algum dia iria acertar na resposta...

Vem isto a propósito da faculdade que foi posta à nossa disposição pelo nosso omnipresente e enjoativo Covid-19: poder olhar e poder observar. Isto porque já passou tempo suficiente para ser feita uma análise desprendida de basicamente tudo... e podermos constatar que olhamos para certos assuntos e que estes merecem um olhar mais atento, mais pormenorizado... uma observação cuidada (mas subjetiva).

Assim, vimos que no inicio da crise do vírus, o Governo foi impelido a seguir as recomendações  de grande parte da população que se auto-confinou parando o país. E a DGS ia ziguezagueando ao sabor das noticias vindas de fora e das indicações do Governo sobre a falta de dinheiro e recursos...

Por falar em recursos, muitos empresários viram a lenta ruína bater-lhes à porta enquanto que a outros predestinados, pela nossa incompetência governativa, surgiram oportunidades de negócios da China. Foi o resultado da estratégia de "navegar à vista" e ao sabor do vento... Eram precisas máscaras? Compravam-se quaisquer máscaras... Eram precisos ventiladores? Talvez não, mas a opinião publica pressionava, e então comprou-se ventiladores mesmo com instruções em mandarim... e mesmo que uma parte deles ainda não tenha chegado a território nacional...

O confinamento foi necessário? Sem duvida pois era necessário evitar o colapso do SNS como em Itália e Espanha. A "sorte" do SNS foram os profissionais de saúde que não nos faltaram apesar de serem uns dos patinhos feios da Administração Publica.

E o SNS não colapsou e quase todos os municípios fizeram o que o governo central deveria ter feito junto dos mais idosos e dos mais desprotegidos. Sim, em 2020 ainda existe um pestilento odor centralista em Portugal. Só se consegue observar isso de fora da bolha da capital do império... Lá de dentro só se vê provincianos e bairristas bacocos e saloios cá fora...

Quanto à pobreza e às dificuldades, que aqueles que estão desempregados ou em layoff sofrem, estão a ser olimpicamente ignorados por uma comunicação social engajada e distraída com reeleições, com as boçalidades dos Bolsonaros e Trumps e com outras indignações do momento. 

E assim, enquanto uns tentam sobreviver e outros pensam na praia, conseguimos observar que no nosso extenso Governo não existe um tipo capaz de pensar numa estratégia para sairmos deste desastre. O Sr Costa teve de contratar (mais um) consultor para nos guiar no meio da escuridão... Lá vamos nós ter aqueles projectos do costume, aqueles processos de intenções partidários tipo miss Mundo, e vamos ter os resultados habituais... Tudo no espírito do nacional porreirismo e os outros que decidam...

Vendo o mês de Junho e observando as previsões para o Verão, só espero é que não sejamos castigados com grandes incêndios... Alguém ouviu falar de prevenção e combate? Aguardo instruções da DGS para os Bombeiros semelhantes aquelas dadas aos Nadadores Salvadores...

 

 

 

 

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publicado às 11:00

1+1=1

por Nunovsky Ops, em 27.05.20

O título deste post é da autoria de Almada Negreiros, pintor, desenhador, vitralista, poeta, romancista, ensaísta, crítico de arte, conferencista, dramaturgo, que foi desde 1910, uma das mais notáveis figuras da cultura portuguesa até aos nossos dias. A referencia a "1+1=1" vem na sequencia de uma conferencia dada por Almada-Negreiros no Teatro Almeida Garrett (atual D.Maria II) em 1932 onde critica aqueles que diziam que «o individualismo morreu e que o coletivismo ganhou», e onde afirmava que «isolar o que seja  do próprio conjunto a que pertence tudo é fazer disso mesmo uma direção proibida

(Fica sempre bem um apontamento cultural... e ajuda a manter a fama de intelectualóide...)

Isto vem a propósito da polémica desenvolvida ontem entre a TAP e os municípios das Regiões Norte e Centro de Portugal... Este é um caso típico em que as parcelas desta adição estão certas, isto numa análise despudorada e isenta. Sim, ambas estão certas nas suas posições e reivindicações. Pode parecer contraditório mas não é...

A Comissão Executiva da TAP tem como objetivo a boa gestão da companhia de forma a maximizar os proveitos e minimizar os custos. Assim, se a empresa está a navegar em mares agitadissimos, com quase a totalidade da sua frota no chão e sem receitas a entrar em caixa, faz o que a boa gestão manda que é usar os seus recursos com parcimónia. O dinheiro não abunda e, apesar do pedido de ajuda ao Estado ter sido feito no inicio de Abril, o grupo de estudo para esta ajuda só foi criado no inicio da segunda quinzena de Maio. Assim, o dinheiro não deve chegar para as necessidades mais próximas...

Todas as outras companhias de bandeira estão a centralizar operações (a BA centralizou as operações em LHR, a AF centralizou em CDG etc...) e os custos de operação diferem de companhia para companhia (custos mais baixos nas low-cost) o que interfere na rentabilidade a nível de ocupação média das aeronaves. Daí a racionalidade da entrada em alguns mercados e da ausência de oferta noutros. Não é de hoje que esta tem sido a política desta Comissão Executiva onde quando não existe procura os voos são suprimidos (utilizando linguagem ferroviária). A celebre rota Porto-Lyon é disso um exemplo: foi cancelada antes de existir sequer. Motivo: fraca procura.

Por outro lado, as reivindicações do grupo de municípios do Norte e Centro são mais do que racionais e justas. Se no passado a TAP desinvestiu no Porto, a região tratou de assegurar outras opções para os seus projetos com subsidios para a captação de outras companhias. A TAP recuou e voltou a investir. A região Norte perdoou mas não esqueceu. Agora todos os municipios estão com graves situações economico-sociais nas mãos. As empresas dos seus concelhos estão a asfixiar com esta pandemia e todos querem fazer a retoma da economia o mais rapidamente possível. Precisam de poder escoar os seus produtos, poder vender as suas marcas no estrangeiro e receber turistas para alavancar toda uma economia. Para isso, nada melhor que usar um ponta-de-lança de peso, com estatuto e prestigio: a TAP. Alem do mais, trata-se de uma empresa onde 50% do capital é do Estado e, apesar de existir um contrato onde os atos de gestão são privados, estes são tempos de exceção. Acrescente-se ainda o facto da TAP precisar de uma injeção de apoios do Estado na ordem dos 1000 milhões de euros. Assim, e se a TAP vai ser ajudada pelo Estado (todos nós) faz todo o sentido usar a TAP para desenvolver a retoma harmoniosa de todo o território nacional.

Então o que está a falhar nesta simples soma? A resposta é o Governo. Além de estarem assustadíssimos com o que está a acontecer e completamente desnorteados, não têm dinheiro e não têm qualquer tipo de estratégia. Só assim se explica que o Turismo do Porto e Norte se tenha juntado ao protesto dos municípios e o Turismo de Portugal se tenha remetido ao completo silêncio. Sabe-se que a TAP colocou todos os seus recursos à disposição deste organismo e os resultados são os que se sabem...

O Governo através da Secretaria de Estado do Turismo e do Turismo de Portugal deveriam ter um plano estratégico integrado envolvendo todas as regiões de Turismo, todos os players deste negócio e a TAP de forma a que todos remassem para o mesmo lado e usassem todas as sinergias. Iria ter custos? Claro que sim mas sob a forma de investimento e se calhar o "comprar o que é português" iria ter mais sentido... A estratégia do Algarve é similar à do Norte? E Lisboa? E a Madeira? Vão todos fazer concorrência uns aos outros?E porque é que o Governo Regional do Açores adjudicou à Ryanair a promoção do arquipélago no Reino Unido?

Agora que o caldo está entornado, vamos assistir a jogos de poder e exercícios de demagogia e hipocrisia... Mais uma vez à boa maneira portuguesa...

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publicado às 11:30



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